Ameaças Cibernéticas OT

Ameaças Cibernéticas em Ambientes OT: o Risco Avança sobre as Operações Críticas
A cibersegurança em ambientes de Tecnologia Operacional (OT) entrou em uma nova fase. Se antes a principal preocupação estava na possibilidade de um ataque alcançar sistemas industriais a partir do ambiente de TI, o cenário observado em 2026 mostra adversários avançando no conhecimento das próprias operações industriais.
O Dragos 2026 OT/ICS Cybersecurity Report identificou três novos grupos de ameaças direcionados a infraestruturas críticas e aponta que adversários estão evoluindo da fase de reconhecimento para atividades voltadas ao impacto operacional. Em alguns casos, os atacantes já buscam compreender control loops e processos físicos para identificar como uma operação poderia ser manipulada.
Ao mesmo tempo, as organizações estão avançando em maturidade. O relatório de OT da Fortinet de 2026, realizado com mais de 700 profissionais do setor, mostra uma crescente participação da alta liderança na segurança de OT. Ainda assim, visibilidade, segmentação, acesso remoto seguro, resposta a incidentes e padronização das arquiteturas continuam entre os principais desafios.
Ransomware Continua entre as Principais Ameaças às Operações Industriais
O ransomware permanece como uma das ameaças de maior impacto para organizações industriais.
Segundo a Dragos, 119 grupos de ransomware atingiram organizações industriais em 2025, contra 80 no ano anterior, um crescimento de aproximadamente 49% no número de grupos com alcance sobre esse setor. Ao todo, cerca de 3.300 organizações industriais foram impactadas, e a manufatura concentrou mais de dois terços das vítimas observadas.
A atividade permaneceu elevada em 2026. Somente no primeiro trimestre, a Dragos identificou 1.020 incidentes de ransomware envolvendo organizações industriais em todo o mundo, mantendo o patamar elevado observado no final de 2025.
Esse cenário ajuda a explicar por que organizações industriais são particularmente atraentes para grupos de ransomware: a tolerância à indisponibilidade costuma ser baixa. Uma interrupção pode comprometer produção, logística, serviços essenciais e outros processos diretamente ligados à continuidade do negócio.
Por isso, tratar ransomware apenas como um problema de proteção de dados é insuficiente em ambientes industriais. A estratégia precisa considerar também continuidade operacional, segmentação entre ambientes, acessos remotos, capacidade de detecção e resposta a incidentes específicos de OT.
Visibilidade Ainda é um dos Grandes Desafios da Segurança OT
Existe outro problema menos visível, mas igualmente relevante: muitas organizações ainda não conseguem enxergar adequadamente o que acontece dentro de seus ambientes industriais.
O levantamento de 2026 da Dragos aponta que apenas 46% das avaliações realizadas encontraram monitoramento adequado das redes OT. Além disso, 81% das avaliações identificaram problemas de segmentação entre TI e OT.
Essa falta de visibilidade pode fazer com que uma atividade maliciosa seja percebida somente quando começa a produzir consequências para a operação.
Em 30% dos casos de resposta a incidentes analisados pela Dragos, por exemplo, a investigação começou após a identificação de problemas operacionais inexplicáveis. Ao mesmo tempo, 82% das organizações avaliadas não possuíam critérios claros para determinar quando uma anomalia operacional deveria desencadear uma investigação de segurança cibernética.
Em OT, portanto, visibilidade não significa apenas conhecer quais dispositivos estão conectados. Significa compreender ativos, comunicações, comportamentos esperados e alterações que possam representar risco para o processo industrial.
Vulnerabilidades: Corrigir Tudo Não é uma Estratégia
Outro ponto que ganhou relevância é a forma como vulnerabilidades são tratadas.
Em ambientes OT, simplesmente aplicar todos os patches disponíveis pode não ser viável. Equipamentos podem operar durante décadas, depender de softwares legados ou exigir paradas programadas e validações antes de qualquer alteração.
Os dados de 2026 reforçam a necessidade de uma abordagem baseada em risco. Segundo a Dragos, 25% das vulnerabilidades analisadas em avisos do ICS-CERT e NVD apresentavam pontuações CVSS incorretas, enquanto 26% dos avisos não ofereciam patch ou mitigação do fornecedor. Apenas 2% das vulnerabilidades relevantes para ICS foram classificadas pela empresa como prioridade imediata em seu modelo baseado em risco.
Isso muda a pergunta que as organizações precisam fazer. Em vez de simplesmente perguntar “quantas vulnerabilidades precisamos corrigir?”, é necessário entender quais delas representam risco real para os ativos e processos mais críticos da operação.
Inventário de ativos, criticidade operacional, exposição, evidências de exploração, inteligência de ameaças e controles compensatórios passam, portanto, a fazer parte dessa decisão.
Segurança OT Ganha Espaço na Estratégia das Organizações
Se existe uma evolução positiva nesse cenário, é que a segurança OT está deixando de ser tratada exclusivamente como uma responsabilidade técnica.
Dados recentes mostram um movimento crescente de aproximação entre segurança cibernética, operações e alta liderança. A pesquisa da Fortinet aponta que as organizações estão fortalecendo sua maturidade e levando a responsabilidade pela segurança OT cada vez mais para estruturas lideradas por CISOs e CSOs.
Essa mudança é importante porque um incidente em OT pode ter consequências que ultrapassam o ambiente digital. Dependendo da organização, pode afetar produção, disponibilidade de serviços, equipamentos, segurança das pessoas e continuidade do negócio.
Por isso, segurança OT precisa envolver diferentes áreas e combinar conhecimento de cibersegurança com compreensão do processo industrial.
De uma Postura Reativa para a Resiliência Operacional
O cenário de 2026 mostra que aumentar investimentos ou adicionar novas ferramentas, isoladamente, não resolve o problema.
Organizações mais preparadas precisam desenvolver uma estratégia que combine visibilidade dos ativos, segmentação adequada entre ambientes, controle de acessos remotos, inteligência de ameaças específica para OT, gestão de vulnerabilidades baseada em risco e planos de resposta a incidentes que considerem a continuidade da operação.
Isso se torna ainda mais relevante à medida que os atacantes demonstram maior conhecimento dos próprios processos industriais.
A evolução da segurança OT, portanto, não deve ser medida apenas pela capacidade de impedir um ataque, mas também pela capacidade de identificar rapidamente uma ameaça, responder de forma segura e manter ou recuperar a operação diante de um incidente.
É essa visão de resiliência que orienta a atuação da Cyrex Security, apoiando organizações na proteção de ambientes OT e infraestruturas críticas a partir da realidade e dos riscos específicos de cada operação.
Sua organização sabe quais ativos e processos precisam ser protegidos primeiro? Converse com os especialistas da Cyrex e entenda como fortalecer a resiliência da sua operação.
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Jornada da segurança operacional
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