Gestão de Ativos OT: como proteger sua operação

Gestão de Ativos OT: a Base para Proteger Operações Críticas
Em ambientes industriais cada vez mais conectados, é difícil proteger aquilo que não se conhece.
A gestão de ativos de Tecnologia Operacional (OT) deixou de representar apenas a manutenção de uma lista de equipamentos. Hoje, envolve compreender quais ativos existem, onde estão, como se comunicam, de quais sistemas dependem, qual sua função no processo e qual seria o impacto para a operação caso fossem comprometidos ou ficassem indisponíveis.
Essa visibilidade é uma das bases para decisões de segurança mais eficientes. Em 2025, a CISA, em conjunto com outras agências internacionais, publicou uma orientação específica para inventário de ativos OT, destacando justamente sua importância para gestão de vulnerabilidades, resposta a incidentes, arquitetura, planejamento de investimentos e gestão do ciclo de vida dos equipamentos.
O NIST também considera um inventário completo e preciso uma capacidade fundamental para gerenciar riscos em ambientes OT.
Por que a Gestão de Ativos OT é tão Importante?
Ambientes OT possuem características bastante diferentes das redes tradicionais de TI.
É comum encontrar equipamentos de diferentes fabricantes e gerações, sistemas legados, dispositivos com longos ciclos de vida e tecnologias que não podem ser interrompidas ou modificadas sem considerar possíveis impactos sobre disponibilidade, confiabilidade e segurança física.
Por isso, saber apenas que determinado equipamento existe não é suficiente.
Uma gestão eficiente precisa permitir que a organização compreenda o contexto daquele ativo dentro da operação. Isso inclui sua função, criticidade, localização, fabricante, modelo, versões de software e firmware, conexões, dependências, responsáveis e estágio de seu ciclo de vida.
Essas informações criam uma base para identificar exposições, priorizar vulnerabilidades, planejar manutenções, investigar incidentes e direcionar investimentos de segurança.
1. Construir e Manter um Inventário Atualizado
O primeiro passo continua sendo o inventário. O que muda em 2026 é a profundidade esperada dessa informação.
As orientações atuais recomendam registrar não apenas hardware, mas também informações como software, firmware, versões, fabricante, modelo, localização, identificadores, responsáveis e dependências. O NIST também recomenda considerar informações sobre componentes de software, incluindo SBOM quando disponível.
O inventário também não deve ser encarado como um documento produzido uma única vez.
Novos equipamentos são adicionados, componentes são substituídos, firmwares mudam e arquiteturas evoluem. Por isso, os registros precisam acompanhar as alterações realizadas no ambiente.
2. Entender a Criticidade e as Dependências dos Ativos
Nem todos os ativos OT representam o mesmo risco para a operação.
Um equipamento diretamente relacionado a um processo crítico pode exigir uma estratégia de proteção completamente diferente de outro ativo com menor impacto operacional.
Por isso, além de identificar os equipamentos, é necessário entender o que aconteceria se determinado ativo fosse comprometido ou ficasse indisponível.
Esse contexto permite estabelecer prioridades de proteção e recuperação. Também ajuda a revelar dependências que nem sempre são evidentes: um ativo aparentemente secundário pode sustentar um processo essencial ou funcionar como ponto de comunicação entre diferentes partes da operação.
É essa combinação entre inventário + contexto + criticidade que transforma uma lista de equipamentos em inteligência para gestão de risco.
3. Monitorar o Ambiente sem Comprometer a Operação
O monitoramento contínuo continua sendo uma prática importante, mas existe uma particularidade fundamental em OT: a própria forma de descobrir ou monitorar ativos precisa ser compatível com o ambiente industrial.
O NIST alerta que determinadas técnicas automatizadas, como métodos de varredura ativa, podem produzir efeitos indesejados em sistemas OT. Por isso, recomenda avaliar como as ferramentas coletam informações e, quando apropriado, testá-las em ambientes ou componentes fora da produção antes da implantação.
Isso significa que visibilidade não deve ser buscada a qualquer custo.
A estratégia precisa respeitar características como disponibilidade, segurança física, confiabilidade e limitações tecnológicas dos ativos industriais.
4. Tratar Vulnerabilidades de Acordo com o Risco
Aqui eu mudaria significativamente o texto original.
Em OT, “manter todos os sistemas atualizados com os patches mais recentes” não pode ser uma recomendação genérica.
Alguns equipamentos possuem softwares legados, dependem da homologação do fabricante ou simplesmente não podem ser interrompidos imediatamente para receber uma atualização.
A gestão de ativos ajuda justamente a tomar essa decisão.
A organização precisa conhecer versão, exposição, criticidade e dependências do equipamento para determinar a melhor forma de tratamento. Dependendo do cenário, isso pode envolver aplicação de patch em uma janela de manutenção, atualização de firmware, mitigação recomendada pelo fabricante ou adoção temporária de controles compensatórios.
A própria orientação da CISA para ambientes OT recomenda considerar as características específicas desses sistemas antes da aplicação de atualizações e mitigações.
Portanto, mais importante do que simplesmente “estar atualizado” é saber onde está o risco e como tratá-lo de forma segura para a operação.
5. Segmentar para Limitar a Exposição
Conhecer os ativos também permite entender melhor como eles estão conectados.
A segmentação de redes continua sendo uma das práticas fundamentais para segurança OT. Separar adequadamente ambientes e controlar as comunicações entre diferentes zonas ajuda a reduzir a superfície de ataque e limitar a movimentação de uma ameaça caso algum ativo seja comprometido.
O NIST recomenda a separação das redes em diferentes níveis ou zonas e o uso de dispositivos de controle nas fronteiras entre elas como parte de uma estratégia de defesa em profundidade.
Essa arquitetura se torna ainda mais relevante diante do crescimento de ativos industriais e tecnologias de acesso remoto expostos à internet. Em orientação publicada em 2025, a CISA alertou para o crescimento de ativos acessíveis externamente, incluindo IIoT, SCADA, ICS e tecnologias de acesso remoto.
6. Integrar Segurança, TI e OT
A gestão de ativos também não deve ficar restrita a uma única área.
Operações conhece o processo. TI compreende parte importante da infraestrutura tecnológica. Segurança possui a visão de ameaças, vulnerabilidades e controles.
Quando essas informações permanecem isoladas, surgem pontos cegos.
Uma gestão madura de ativos OT exige, portanto, responsabilidades claramente definidas e colaboração entre Segurança, TI, Engenharia e Operações, respeitando as características e responsabilidades de cada ambiente.
O próprio NIST recomenda que a gestão de ativos registre responsáveis pelo ativo e identifique claramente funções relacionadas à operação, manutenção e cibersegurança.
O Contexto Brasileiro
No Brasil, essa discussão ganha relevância especial em setores responsáveis por serviços e infraestruturas essenciais.
No setor elétrico, por exemplo, o Operador Nacional do Sistema Elétrico mantém a rotina RO-CB.BR.01, que estabelece controles mínimos de segurança cibernética para o chamado Ambiente Regulado Cibernético, abrangendo centros de operação e equipamentos relacionados à infraestrutura de comunicação operacional.
Isso reforça um ponto importante: gestão de ativos, arquitetura, segurança e continuidade operacional precisam fazer parte de uma mesma estratégia.
Mais do que atender requisitos, conhecer o ambiente permite que organizações tomem decisões mais rápidas e fundamentadas quando surge uma vulnerabilidade, uma ameaça ou um incidente.
De Inventário de Ativos para Inteligência sobre a Operação
A principal evolução da gestão de ativos OT está justamente aqui.
Ter uma lista de equipamentos não significa ter visibilidade sobre a operação.
Uma organização pode possuir milhares de ativos catalogados e, ainda assim, não saber quais são realmente críticos, como estão conectados, quais vulnerabilidades apresentam, quais dependências possuem ou quais precisam ser recuperados primeiro diante de um incidente.
A gestão moderna de ativos transforma essas informações em contexto para tomada de decisão.
É a partir dessa visibilidade que se torna possível priorizar vulnerabilidades, identificar exposições, fortalecer a segmentação, planejar o ciclo de vida dos equipamentos e responder melhor a incidentes.
Para a Cyrex Security, a gestão de ativos OT deve ser tratada como parte da estratégia de resiliência operacional. Ao conectar conhecimento dos ativos, criticidade, vulnerabilidades e arquitetura, as organizações ganham uma visão mais clara dos riscos que realmente podem afetar seus processos críticos.
Porque, antes de decidir como proteger uma operação, é preciso saber exatamente o que precisa ser protegido.
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