Cibersegurança OT em 2026: Como Construir um Programa Eficaz

Cibersegurança OT em 2026: Como Construir um Programa Eficaz

A cibersegurança OT deixou de ser uma preocupação restrita às equipes técnicas para se tornar uma questão diretamente relacionada à continuidade, segurança e resiliência das operações industriais.

Ambientes cada vez mais conectados, acessos remotos, integração entre TI e OT, sistemas legados e novas tecnologias ampliam as possibilidades de negócio, mas também criam novos caminhos que podem ser explorados por adversários.

Em 2026, essa discussão ganha uma dimensão ainda maior. O cenário mostra adversários avançando do acesso inicial para o reconhecimento de processos industriais, incluindo o mapeamento de sistemas de controle e a compreensão de como processos físicos funcionam.

O Dragos 2026 OT Cybersecurity Report identificou três novos grupos de ameaças direcionados a infraestruturas críticas e aponta que alguns adversários estão avançando para estágios em que estudam control loops e processos industriais visando possíveis impactos sobre a operação.

Diante desse cenário, implementar ferramentas isoladas já não é suficiente. Um programa eficaz de cibersegurança OT precisa conectar pessoas, processos, arquitetura, tecnologia e conhecimento da própria operação.

O Desafio Não é Apenas Evitar um Ataque

Em ambientes industriais, as consequências de um incidente podem ultrapassar os sistemas digitais.

Dependendo da operação, uma ocorrência cibernética pode provocar perda de visibilidade, indisponibilidade de sistemas, interrupções de produção, dificuldade de controle dos processos e impactos sobre segurança e continuidade operacional.

O ransomware continua sendo um exemplo importante. Segundo a Dragos, 3.300 organizações industriais foram impactadas por ransomware em 2025, período analisado pelo relatório publicado em 2026. A empresa também identificou 119 grupos de ransomware com alcance sobre organizações industriais, contra 80 no ano anterior.

Mas ransomware não é o único problema.

Ambientes OT também estão expostos a comprometimento de credenciais, exploração de vulnerabilidades, acessos remotos inadequadamente protegidos, equipamentos expostos à internet e movimentação entre redes corporativas e industriais.

Por isso, o objetivo de um programa de segurança OT não deve ser somente bloquear ataques. Ele precisa permitir que a organização conheça sua exposição, identifique atividades anômalas, limite a movimentação de adversários e esteja preparada para responder e recuperar a operação com segurança.

Onde os Programas de Segurança OT Ainda Encontram Dificuldades?

Apesar do amadurecimento da cibersegurança industrial, algumas lacunas continuam recorrentes.

1. Visibilidade do Ambiente OT

É difícil proteger aquilo que a organização não consegue enxergar.

Um programa eficaz começa pelo conhecimento dos ativos, softwares, firmwares, comunicações, dependências, acessos e funções existentes dentro da operação.

Em 2026, a Dragos apontou que apenas 46% das avaliações realizadas encontraram monitoramento adequado de redes OT. Sem telemetria suficiente, uma organização pode ter dificuldade até mesmo para reconstruir o que aconteceu durante um incidente.

Inventário de ativos, portanto, é apenas o começo. O objetivo deve ser desenvolver visibilidade operacional contínua.

2. Segmentação entre TI e OT

A conectividade entre ambientes corporativos e industriais exige controles capazes de limitar os caminhos existentes entre eles.

Nas avaliações analisadas pela Dragos, 81% apresentaram problemas de segmentação entre TI e OT. Além disso, 73% dos casos históricos de resposta a incidentes considerados pela empresa envolveram credenciais comprometidas de VPN ou jump hosts.

A segmentação ajuda a reduzir possibilidades de movimentação lateral e limita o impacto caso determinado ambiente seja comprometido.

Essa também é uma recomendação da CISA para infraestruturas críticas, que orienta a segmentação das redes TI e OT e a utilização de zonas intermediárias apropriadas para reduzir riscos às operações essenciais.

3. Acesso Remoto

O acesso remoto tornou-se parte importante de muitas operações industriais, principalmente para fornecedores, integradores, equipes de manutenção e especialistas.

Mas cada acesso representa um caminho que precisa ser conhecido e controlado.

A CISA recomenda proteger acessos remotos a redes OT, aplicar o princípio do menor privilégio, utilizar autenticação multifator resistente a phishing e desabilitar contas que não sejam mais necessárias.

Um programa de segurança OT precisa conseguir responder claramente: quem acessa o ambiente, por qual caminho, quais ativos pode alcançar e quais privilégios possui?

4. Sistemas Legados e Vulnerabilidades

Outro desafio é que ambientes industriais frequentemente possuem equipamentos com ciclos de vida muito superiores aos encontrados em TI.

Alguns sistemas podem não receber mais atualizações ou não permitir a aplicação imediata de um patch sem testes e planejamento.

Por isso, gestão de vulnerabilidades em OT não significa simplesmente atualizar tudo assim que uma correção estiver disponível.

O NIST recomenda um processo documentado de gerenciamento de patches específico para OT, incluindo monitoramento de atualizações, definição do momento adequado para aplicação, testes prévios e adoção de controles compensatórios quando a correção precisar ser adiada. O próprio NIST alerta que um patch pode eliminar uma vulnerabilidade e, ao mesmo tempo, introduzir riscos de produção ou segurança operacional.

A decisão precisa considerar criticidade, exposição, possibilidade de exploração, impacto operacional, compatibilidade e controles existentes.

5. Detecção e Resposta a Incidentes

Não basta monitorar uma rede se a organização não sabe quando determinado comportamento deve ser investigado.

Segundo a Dragos, 30% dos casos de resposta a incidentes analisados começaram com problemas operacionais sem explicação, enquanto 82% das organizações avaliadas não possuíam critérios claros para determinar quando uma anomalia operacional deveria iniciar uma investigação cibernética.

Esse é um ponto importante para um programa de segurança OT.

Segurança, TI, Engenharia e Operações precisam compartilhar critérios para reconhecer quando um comportamento inesperado pode ter origem cibernética.

Os Pilares de um Programa Eficaz de Cibersegurança OT

Em vez de tratar inventário, firewall, monitoramento, patches e treinamento como iniciativas independentes, um programa maduro precisa conectá-los dentro de uma estratégia de gestão de riscos.

Essa estratégia deve considerar pelo menos:

  • visibilidade e gestão dos ativos OT, incluindo comunicações e dependências;

  • arquitetura e segmentação, limitando caminhos entre ambientes e sistemas críticos;

  • gestão segura de identidades e acessos remotos;

  • monitoramento e detecção adequados ao contexto industrial;

  • gestão de vulnerabilidades baseada em risco, respeitando requisitos de disponibilidade e segurança;

  • inteligência de ameaças específica para OT, capaz de transformar informações sobre adversários em decisões defensivas;

  • planos de resposta e recuperação específicos para ambientes industriais;

  • governança clara, conectando Segurança, TI, Engenharia, Operações e liderança.

O NIST SP 800-82 Rev. 3 reforça essa necessidade de proteger OT considerando características próprias desses ambientes, como desempenho, confiabilidade e segurança física.

Inteligência de Ameaças Precisa Gerar Decisão

Inteligência de ameaças também evoluiu.

Não basta receber grandes volumes de indicadores ou relatórios sobre novos ataques. Para gerar valor, a organização precisa conseguir relacionar essas informações ao seu próprio ambiente.

Isso significa entender quais grupos de ameaças possuem interesse no setor, quais técnicas utilizam, quais vulnerabilidades estão sendo exploradas e, principalmente, se os ativos e caminhos necessários para esses ataques existem dentro da organização.

Essa contextualização permite transformar inteligência em priorização.

Em vez de perguntar apenas “quais são as novas ameaças?”, um programa maduro passa a perguntar:

“Quais dessas ameaças realmente possuem condições de atingir a nossa operação?”

Governança de OT Está Chegando à Liderança

Outra mudança importante é que a responsabilidade pela segurança OT está subindo na estrutura das organizações.

O 2026 State of Operational Technology and Cybersecurity Report, da Fortinet, baseado em uma pesquisa global com mais de 700 profissionais de OT, aponta que a segurança desses ambientes está cada vez mais vinculada à liderança de CISO e CSO. Ao mesmo tempo, permanecem desafios relacionados a visibilidade, segmentação, acesso remoto seguro, resposta a incidentes e padronização da arquitetura de segurança.

Isso reforça uma mudança de perspectiva: cibersegurança OT não deve ser tratada apenas como responsabilidade da automação ou da equipe de segurança.

Quando um incidente pode interromper uma operação crítica, o risco cibernético também é um risco para o negócio.

De Controles Isolados para Resiliência Operacional

Construir um programa eficaz de cibersegurança OT não significa simplesmente acumular ferramentas ou implementar uma lista de controles.

O nível de maturidade está relacionado à capacidade de conhecer a operação, entender os riscos mais relevantes, estabelecer prioridades e criar condições para detectar, responder e recuperar-se de incidentes.

A evolução das ameaças observada em 2026 reforça justamente essa necessidade. Adversários estão desenvolvendo maior conhecimento sobre os próprios processos industriais, enquanto organizações ainda enfrentam lacunas importantes de visibilidade, segmentação e resposta.

Para a Cyrex Security, proteger ambientes OT significa conectar conhecimento técnico e contexto operacional para transformar cibersegurança em resiliência da operação.

A pergunta, portanto, não é apenas se sua organização possui ferramentas de segurança OT.

Proteção de ativos críticos para garantir a continuidade do seu negócio

Jornada da segurança operacional

Atendemos operadores de infraestrutura industrial e crítica que não podem se dar ao luxo de ficar parados.

A Cyrex Security reúne experiência em Engenharia e Defesa Cibernética aplicada a infraestruturas críticas.

contact us

contato@cyrex-sec.com

our adress

Avenida Ipanema, 165
19 Andar, Sala 1914
CEP: 06472-002
Alphaville - SP

follow us

Instagram

Facebook

X

menu

About Us

Contacts

CYREX