Ciberataques na Manufatura: Riscos em OT

Ameaças Cibernéticas na Manufatura: o Cenário OT em 2026
A digitalização transformou a manufatura. Sistemas corporativos e industriais estão mais conectados, fornecedores acessam ambientes remotamente e dados circulam entre diferentes etapas da produção.
Essa integração aumenta eficiência e flexibilidade, mas também cria novas dependências e amplia os caminhos pelos quais um incidente cibernético pode afetar a operação.
Em 2026, a manufatura permanece como um dos principais alvos de ameaças cibernéticas entre os setores industriais. Segundo a Dragos, o setor representou 62% das organizações industriais impactadas por ransomware no primeiro trimestre de 2026. No segundo trimestre, foram 747 organizações de manufatura, correspondendo a 65% dos 1.140 incidentes industriais de ransomware observados no período.
Mais do que a quantidade de ataques, esses números revelam uma característica importante da manufatura: a baixa tolerância à indisponibilidade torna a interrupção especialmente relevante para o negócio.
Quando um Incidente em TI Chega à Produção
Um dos principais riscos para a manufatura continua sendo a relação cada vez mais próxima entre TI e OT.
Sistemas ERP, infraestrutura virtualizada, plataformas de planejamento, estações de engenharia, sistemas de qualidade e outras tecnologias podem possuir dependências diretas ou indiretas com a produção.
Isso significa que um ataque não precisa necessariamente comprometer um PLC ou manipular diretamente um processo industrial para interromper uma fábrica.
No segundo trimestre de 2026, a Dragos não identificou casos em que operadores de ransomware tenham alcançado o estágio de manipulação direta de sistemas de controle. Mesmo assim, incidentes provocaram impactos operacionais por meio da indisponibilidade de sistemas corporativos, plataformas ERP e infraestrutura de virtualização das quais as operações dependiam.
Essa distinção é importante.
Um incidente pode começar em TI e se transformar em um problema de OT quando os sistemas comprometidos sustentam a continuidade da produção.
Ransomware Continua Sendo a Principal Pressão
A manufatura continua particularmente exposta ao ransomware.
Em 2025, mais de dois terços das organizações industriais afetadas por ransomware pertenciam ao setor de manufatura. A Dragos acompanhou 119 grupos de ransomware com alcance sobre organizações industriais, contra 80 no ano anterior, impactando aproximadamente 3.300 organizações.
A pressão continuou em 2026.
Foram 633 organizações de manufatura identificadas como vítimas no primeiro trimestre e 747 no segundo, segundo dados públicos de vítimas e publicações em sites de vazamento acompanhados pela Dragos.
Entre os segmentos mais afetados no segundo trimestre aparecem construção, fabricantes de equipamentos e alimentos e bebidas.
Mas há outro aspecto relevante: o ransomware não depende necessariamente de malware desenvolvido especificamente para sistemas industriais.
Os atacantes continuam utilizando técnicas conhecidas, como exploração de dispositivos expostos à internet, abuso de ferramentas de gerenciamento remoto, comprometimento de contas válidas e roubo de credenciais.
Para a manufatura, portanto, proteger OT também significa controlar os caminhos que podem levar um atacante até a produção.
Acesso Remoto Amplia a Superfície de Risco
Fabricantes dependem cada vez mais de integradores, fornecedores de equipamentos, equipes de manutenção e especialistas que precisam acessar determinados sistemas remotamente.
Esses acessos são importantes para a operação, mas precisam ser conhecidos, limitados e monitorados.
A própria Dragos aponta acesso remoto persistente de fornecedores, domínios compartilhados entre TI e OT e sistemas altamente integrados entre as características que contribuem para a exposição da manufatura.
Para reduzir esse risco, a CISA recomenda que acessos remotos a OT sejam protegidos com controles como autenticação multifator resistente a phishing, princípio do menor privilégio e desativação de contas que não sejam mais necessárias.
A organização precisa conseguir responder perguntas simples, mas fundamentais:
Quem consegue acessar a produção remotamente? Quais sistemas essa pessoa consegue alcançar? Esse acesso realmente precisa permanecer disponível o tempo todo?
Visibilidade e Segmentação Continuam Sendo Fundamentais
Conhecer os ativos existentes é apenas o primeiro passo.
Uma operação de manufatura precisa compreender também como PLCs, HMIs, estações de engenharia, servidores, equipamentos industriais e sistemas corporativos se comunicam e quais dependências existem entre eles.
Sem essa visibilidade, identificar comportamentos anormais e avaliar a extensão de um incidente torna-se muito mais difícil.
A segmentação complementa esse trabalho. Separar adequadamente TI e OT e criar zonas de segurança reduz os caminhos disponíveis para movimentação lateral caso determinado sistema seja comprometido.
A CISA recomenda explicitamente a segmentação entre redes TI e OT e a adoção de uma zona intermediária apropriada para reduzir a possibilidade de que ameaças alcancem operações essenciais.
Na manufatura, isso é especialmente relevante porque ambientes altamente integrados podem criar conexões que não estavam previstas originalmente como caminhos de ataque.
Gestão de Vulnerabilidades Precisa Considerar a Produção
O texto original tratava gestão de vulnerabilidades principalmente como identificação de falhas e aplicação de patches. Em 2026, essa abordagem precisa ser mais cuidadosa.
Ambientes industriais possuem sistemas legados, equipamentos com ciclos de vida longos e tecnologias que nem sempre podem ser interrompidas ou atualizadas imediatamente.
Por isso, o objetivo não deve ser simplesmente corrigir todas as vulnerabilidades.
É necessário entender quais vulnerabilidades são exploráveis, quais ativos podem ser alcançados, qual a criticidade desses equipamentos e qual seria o impacto de um comprometimento sobre o processo produtivo.
A própria Dragos recomenda para manufatura uma abordagem de gestão de vulnerabilidades baseada em risco e contexto operacional, em vez da tentativa de aplicar patches indiscriminadamente.
Quando uma atualização não puder ser aplicada imediatamente, segmentação, restrição de acesso, monitoramento e outros controles compensatórios podem ajudar a reduzir a exposição até que a correção possa ser realizada com segurança.
As Ameaças Também Estão Evoluindo
O cenário de 2026 traz outra mudança importante.
Adversários direcionados a ambientes OT estão demonstrando maior interesse em compreender como os processos industriais realmente funcionam.
O Dragos 2026 OT/ICS Cybersecurity Report aponta adversários avançando do simples reconhecimento para atividades como mapeamento de control loops, coleta de configurações e compreensão das condições que podem provocar alterações ou interrupções nos processos físicos.
Esse movimento torna a proteção das estações de engenharia, interfaces homem-máquina, gateways e outros ativos que fornecem informações sobre o processo ainda mais relevante.
Não se trata apenas de proteger dados.
Em OT, determinadas informações ajudam um adversário a entender como a fábrica funciona.
E a Mídia Removível?
O artigo original colocava USBs e outras mídias removíveis entre as principais tendências de ameaça.
Eu não eliminaria esse risco, porque mídias removíveis continuam podendo criar caminhos entre sistemas desconectados ou restritos. Mas não manteria esse tema como um dos pilares do artigo de 2026.
Os dados atuais de manufatura apontam com mais força para ransomware, integração TI/OT, acessos remotos, credenciais, exposição de sistemas e dependências tecnológicas como questões prioritárias.
Mídias removíveis devem continuar fazendo parte das políticas de segurança, mas dentro de uma estratégia mais ampla de controle de acessos e transferência segura de informações.
Como Fortalecer a Resiliência da Manufatura
Diante desse cenário, a estratégia de cibersegurança precisa estar conectada à realidade da produção.
Algumas capacidades tornam-se fundamentais: inventário e visibilidade dos ativos OT; segmentação entre TI e OT; controle de acessos remotos e identidades; monitoramento adequado aos protocolos industriais; gestão de vulnerabilidades baseada em risco; backups e estratégias de recuperação; inteligência de ameaças específica para OT; e planos de resposta a incidentes que envolvam Segurança, TI, Engenharia e Operações.
Essa última dimensão é particularmente importante.
Um plano tradicional de resposta a incidentes de TI pode não ser suficiente quando desligar um equipamento, isolar determinado sistema ou restaurar uma estação pode provocar consequências para produção, qualidade ou segurança.
A resposta precisa considerar o processo físico que está sendo protegido.
Da Cibersegurança à Continuidade da Produção
Os dados de 2026 deixam claro que a manufatura continua sendo um dos setores industriais mais pressionados por ameaças cibernéticas.
Mas o principal aprendizado não está apenas no número de ataques.
A crescente integração entre sistemas significa que um incidente não precisa começar dentro da OT para interromper uma operação industrial. ERP, infraestrutura virtualizada, credenciais, acessos remotos e sistemas corporativos podem se transformar em caminhos para consequências operacionais.
Ao mesmo tempo, adversários especializados em OT estão desenvolvendo maior conhecimento sobre processos industriais e sobre os sistemas responsáveis por controlá-los.
Para a Cyrex Security, proteger a manufatura significa compreender essas dependências e construir uma estratégia que conecte cibersegurança à continuidade da produção.
Se um sistema crítico fosse comprometido hoje, sua organização saberia quais partes da produção poderiam ser afetadas?
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